Definições de Tipografia

Depois de conhecer toda a história e influências da tipografia nos últimos posts, agora está na hora de colocar em prática e desenhar tipos! Mas antes, irei sintetizar aqui algumas definições básicas e termos métricos e estruturais das tipos.

Agora vamos à uma parte mais técnica da tipografia: conceitos, definições e termos estruturais.

O termo tipografia precisamente significa o que? Tipografia é um conjunto de caracteres. É a prática e o processo envolvido na criação e utilização de símbolos (letras, números e sinais de pontuação, etc) para um fim de reprodução.

Caractere é qualquer letra, desenho, sinal, ou até um simples espaço, que compõe uma fonte tipográfica.

Fonte é qualquer conjunto de caracteres desenhados com o intuito de formarem um conjunto consistente de escrita implentados como fonte.

É um processo feito para reprodução, diferente da caligrafia, que é um processo manual, onde os desenhos com traçados firmes e contínuos serão únicos. E também diferencia-se de letreiramento, processo onde através de desenhos, consegue-se letras únicas. Aí também pode-se incluir a ideia de recortes. Mas todas essas técnicas podem virar tipografia, no final das contas. Entendeu a diferença?

Alfabeto é um conjunto de caracteres que ainda não são uma fonte.

Família é uma fonte com suas variações. Ex: Helvetica Regular – Bold, Condensed, e assim por diante.

Atenção: As variações de fonte feitas por programas de manipilação de texto NÃO são consideradas variações!

 

Alguns exemplos de componentes da família Helvetica.

 

Partes Estruturais

Linha de Base
A linha de base é onde os caracteres, maiúsculos, minúsculos e sem descendentes ficam apoiados, e também a maioria de símbolos e números.

Altura x ou altura média
A altura x é a distância entre a linha de base e a linha do topo das minúsculas sem ascendentes.

Largura do caractere
A largura do caractere é o desenho dele mais algum espaço em branco que faz parte do espaçamento.

Linha das Ascendentes
É a medida até o topo da letra minúscula, como o ‘d’ e o ‘f’.

Linha das Descendentes
É a altura da linha de base até a profundidade das letras minúsculas com descendentes, como o ‘g’ e o ‘p’.

Kern
Kern é uma compensação que avança alguns caracteres a fim de parear letras que ficariam com um espaçamento exagerado por conta de caracteres com prolongamentos ou detalhamentos, como o ‘f’. Na tipografia em metal, esses prolongamentos eram feitos “voando”, pois assim conseguiam se encaixar no próximo bloco.

Algumas definições. Fonte usada para ilustrar: Utsaah.

 

Partes dos tipos

Uma das partes das tipos mais ambíguas que existe é o termo “Olho”. Há muitas traduções e utilizações distintas desse na tipografia. Citarei alguns exemplos e autores.

Olho, segundo Bringhust (que, na verdade, é chamado de “miolo”) é o “espaço em branco envolvido por uma letra, seja totalmente, como as letras ‘d’ e ‘o’, seja parcialmente, como nas ‘c’ e ‘m’.” Já para Baer, “O olho do caractere é tudo que se vê da letra impressa. E para Farias, é “a área branca completa ou parcialmente fechada pelos traços de uma letra”. O olho equivale às reais dimensões do caractere.” Muitos significados para um termo só. Enfim, o apropriado é saber que o termo pe utilizado para variadas e diferentes funções, pra não se perder quando estiver lendo algum livro de tipografia.

Contraforma é tudo o que não for o desenho da letra, a parte externa.

A diferença: Contraste alto (Didot), modulado, (Times New Roman) baixo (Frankin Gothic Demi) e nulo (Helvetica), respectivamente.

Contraste é uma diferença de espessura em algumas curvas do desenho. Pode ser classificado com alto, modulado, baixo ou nulo. A partir dessas variações, é onde pode-se definir o ‘eixo de contraste’ da letra.

Traços: Inúmeras Definições em Tipografia

Haste usado para definir traços verticais, como o ‘T’.

Barra é usado para definir os traços horizontais, como o topo do ‘T’ e o ‘f’.

Bojo é a área arredondada que escora na linha de base, como o ‘b’ e o ‘p’.

Cauda é o prolongamento abaixo das linhas de base, em curvas, como o ‘g’.

Gancho é um traço curvo que parte do bojo ou da haste das letras, como no ‘a’ ou no ‘r’.

Ligação é o traço que conecta a cauda, e é mais fino, como no ‘g’ e no ‘Q’.

Perna é um traço horizontal ou inclinação à direita, como o ‘K’ e o ‘X’.

 

Serifas
São pequenos traços que são projetados para um ou os dois lados do caractere, na maioria das vezes paralelos a linha de base. Veja o exemplo abaixo:

Serifa

 

Serifa quadrada, filete, triangular e exagerada, respectivamente.

 

Terminais

E por fim, os terminais diferenciados, que podem ser:

  • Abruptos: Quando terminam repentinamente, formando pontas;
  • Lacrimais: Quando tem uma curva alongada, em forma de gota;
  • Circulares: Quando terminam nem eum forma parecia á de um círculo.

Terminais abrupto, lacrimal e circular, respectivamente.

 

E agora vocês está pronto para desenhar tipos! Treine e divirta-se!

Referências:

  • BRINGHUST, Robert. Elementos do estilo tipográfico. 2005 Cosac Nayfy, 2005. (2005, p.360)
  • BAER, Lourenzo. Produção Gráfica. 1995, Editora Senac. (1995, p.43)
  • FARIAS, Priscila Lena 2004. ‘Notas para uma normatização da nomenclatura tipográfica.’ Anais do P&D Design 2004 – 6º. Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design’. FAAP, São Paulo.

As imagens foram elaboradas no Illustrator: Fontes: Helvetica, Didot, Times New Roman, Ebrima, Modern no. 20, Playbill, Georgia, Gloucester MT Extra Condensed, Flanklin Gothic Demi, e alguma que posso ter esquecido…

Autor

Designer Gráfico

Estudante de Comunicação Visual no Centro Universitário Senac. Curiosa, determinada e sempre querendo aprender mais. Inspirada sempre naquilo que pode se transformar e inovar. Observadora, gosta de fotografia, de desenhos orgânicos, de ilustração e tipografia.

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