A história da tipografia é extensa e já há alguns posts aqui sobre isso. Mas a história da tipografia é muito mais extensa e ainda está sendo escrita. E não podemos esquecer das inovações tecnológicas que ajudaram a tipografia a chegar no que conhecemos hoje. Pois vamos lá, do começo!
Fontes TrueType, Apple, Windows x Adobe
Tudo começou nos anos 80. E os grandes empresários já sabiam que as fontes digitais, em versão vetorial, (não mais como bitmaps), seriam parte vital dos sistemas operacionais. A Adobe queria negociar com a Apple e a Microsoft para licenciar a linguagem PostScript, que era a melhor do mercado – tecnologia que necessitava o desembolso de milhões de dólares em royalties e licenças, além de vulnerabilizar o sistema operacional a terceiros.
Com isso, a Apple e a Microsoft se uniram para produzir uma fonte vetorial. A Apple ficaria com a parte dos desenhos dessas fontes, e a Microsoft com o sistema de impressão. As primeiras tentativas foram frustrantes e de baixa qualidade, até o final de 87.
Nessa época, existiam vários concorrentes… variados programas que redimensionavam fontes, e mais: quase todos eles funcionavam perfeitamente em plataforma Mac. A Apple lançou a TrueType para o mundo em Março de 1991, com as primeiras fontes TrueType - Times Roman, Helvetica e Courier.
O problema da TrueType era na plataforma Windows. Com investimentos junto com a Monotype, e com fontes de peso criadas especialmente para eles, como a Times New Roman, Arial e Courier, o sistema não colaborava para um desempenho bom. Máquinas lentas a 16-bit fizeram com o que o sistema TrueType, que foi projetado a rodar em uma máquina de 32-bit (como as da Apple) falhasse. As maiores resoluções não funcionavam bem ou ficavam distorcidas. E ainda pior: caracteres mais trabalhados ou até especiais desapareciam ou se distorciam. Com isso, glifos deveriam ser simplificados, os “hints” deveriam ser projetados para conseguirem rodar em 16-bit… muitos problemas, mas só de um lado da história.
Com esse desfalque, as empresas que produziam fontes tinham muito material, mas nenhum cliente grande em potencial. Fontes copiadas de grandes projetos começaram a aparecer. Muito material distorcido e de péssima qualidade começou a ser comercializado. Com isso, a TrueType foi vista como uma abominação. Essa visão só começou a mudar quando a Microsoft, em 95, lançou o Windows 95, com 32-bit e resolução que aceitava finalmente as resoluções precisas das fontes.
Problema em encontrar os caracteres em outra língua, no caso coreano. O sistema acaba substituindo os caracteres ausentes pelo padrão do sistema.Fontes Opentype
O projeto das fontes opentype começou em 1991, quando a Apple lançou um programa chamado QuickDraw GX system, que tinha um apelo tipográfico grande. Tinha suporte estendido para ligaturas, caracteres alternativos, números antigos e formas diferenciadas. Mas sem grande apoio de desenvolvedores, o programa sumiu rapidamente.
Em 95, a Microsoft desenvolveu a TrueType Open, para o mercado árabe, permitindo um contado maior com outras culturas, que necessitariam de uma plataforma mais complexa. Com isso, a “guerra das fontes” teve um final.
As fontes Opentype são uma extensão de formato das fontes TrueType. Permite um mapeamento ampliado de caracteres especiais e glifos, possibilitando o uso de ligaduras, diferentes alternativas para determinados caracteres, posições e estilos. Podem ainda incluir informações que oferecem suporte ao posicionamento bidimensional de glifos e a anexos de glifos, e ainda conter contornos TrueType ou PostScript. As fontes “clássicas”, as consideradas fontes padrão da plataforma PC (Arial e Times New Roman, por exemplo), comportam scripts da Europa ocidental e central, hebraico, árabe, grego, turco, báltico, cirílico e vietnamita, somente faltando os scripts do leste asiático, por conta da sobrecarga de informações que limitaria o carregamento das informações.
Uma grande vantagem da fonte Opentype é que essa extensão tem um perfeito desempenho em qualquer plataforma, além de conter tudo em um único arquivo.
Na prática
Aonde ver esses caracteres a mais nos programas Adobe?
No Illustrator:
Selecione alguma fonte que tenha extensão Opentype na sua paleta (Cmd ou Ctrl+T).
Em seguida, no menu do programa, vá até a opção “Type” e selecione “Glyphs”
Em seguida, abrirá uma tela com todos os caracteres presentes nessa fonte. Para usá-los, basta dar um duplo clique em cima das opções.
InDesign
No Indesign as opções aparecem destacando-se entre os detalhes a serem mudados.
Selecione Cmd (ou Ctrl)+T. O box “Character” irá aparecer.
No ícone a direita, com um triângulo e algumas linhas, deverá ser selecionado a Opção Opentype.
Nessa opção, é mostrada todas as opções de mudança nos caracteres presentes na fonte. (números, frações, detalhes de ligaturas, etc).
Para mais informações de como trabalhar e aproveitar o máximo de recursos de uma fonte Opentype, acesse o manual (em inglês) da Adobe aqui.
Referências


























