Hello, world.

Hello, world.

Estas são as orgulhosas primeiras palavras da nossa coluna de Design Social. Frase que, segundo a Wikipedia: ‘é usada para ilustrar a sintaxe mais simples de uma linguagem ou para verificar se um sistema está operando corretamente’. E é também para isso que lhe escrevemos. Queremos falar de maneira simples e real sobre o Design Social nos certificando de que este tema não deixe de ser parte de sua vida, nem que seja por alguns minutos de leitura mensal.

Aliás, nós somos o Colabora, um grupo multidisciplinar de estudantes da USP nascido no começo deste ano no curso de design, a partir dessa mesma necessidade: levantar a teoria e prática do design social no meio acadêmico, levando-a ao mundo além da universidade, integrando os dois lados.

Este é o nosso vídeo-manifesto, que acabou de ficar pronto:

Nós criamos este vídeo da maneira mais colaborativa possível: imprimindo seus frames e distribuindo para mais de 150 pessoas intervirem artisticamente sobre seus 0,5s, o que serviu para explicar nossa atuação de maneira metafórica, intervindo sobre a realidade e transformando-a em conjunto.

Mas nós buscamos fazer algo além de vídeos legais e de nossa comunicação visual (que também consideramos super importante, uma vez que esse é o meio de ampliar o que fazemos para o conhecimento de mais pessoas): temos um projeto chamado Entrelaços.

O Entrelaços é um projeto desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira de Distrofia Muscular (Abdim), que trata de pacientes com a doença de maneira gratuita.

A ideia é atuar semanalmente com um grupo de mães, as cuidadoras dos paciente, que consegue dedicar um pouco de seu tempo para o projeto enquanto seus filhos são tratados com os mais diversos profissionais na Abdim. O Entrelaços consiste em um conjunto de oficinas através das quais as mães têm contato com técnicas artesanais, teorias de arte, design e sustentabilidade. As consequências positivas desse grupo para mães e estudantes têm sido marcantes, gerando grande aprendizado e evolução de ambas as partes, que tiveram suas rotinas mudadas para melhor depois do início das oficinas

 

Além da parte pedagógica, existe a parte prática do design. Afinal, precisamos de uma produção comercializável para a geração de renda para as mães. Nesse sentido, temos conseguido praticar o design participativo, desde a busca por um conceito de grupo através de painéis semânticos, que ajudaram no desenvolvimento e escolha do nome em conjunto com o grupo de mães, até sua marca, que, graças ao processo através do qual nasceu, conta com total aprovação do grupo, unindo-o e identificando-o ainda mais.

O produto a ser comercializado será uma bolsa projetada especificamente para o grupo, que, por apresentar característica única, merece produzir um produto único. Para isso, entrevistamos mais de 530 mulheres para descobrirmos o que é a bolsa perfeita, que ainda está em fase de desenvolvimento, mas que em breve estará nos ombros de muitas mulheres, espalhando a história do Entrelaços por todos os lugares.

A oportunidade de participar deste projeto tem possibilitado que os estudantes projetem para a vida real, tendo de resolver problemas que merecem de fato serem resolvidos e desafios produtivos e projetuais que não são simulados ou previstos. Além disso é muito bom poder aplicar nosso conhecimento de maneira útil para a sociedade, causando um impacto positivo na vida dos usuários.

Sabendo de todos os problemas sociais que enfrentamos, contemplando todas as vantagens citadas desse tipo de ações e tendo noção de que as teorias de design social com, por exemplo, Ken Garland, com o manifesto ‘First things first’, estão prestes a completar 50 anos, nos questionamos: por que o design social é um tema tão renegado no ensino acadêmico e na profissão como um todo? Nós tentamos mudar isso, mas não sabemos a resposta, alguém aí tem uma ideia?

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Projeto multidisciplinar de design social da Universidade de São Paulo que visa romper com a bolha que nos isola(va) do mundo. Transformando juntos. facebook.com/projetocolabora