Com o fim da Guerra Civil Espanhola em 1939, Francisco Franco assumiu o cargo de chefe de Estado e instaurou a ditadura franquista, baseada em pensamentos fascistas. É nesse contexto que se passa a história de “O Labirinto do Fauno”.
Trailer de “O Labirinto do Fauno”
O filme começa com a lenda da princesa que vivia no mundo subterrâneo, mas encantada com o mundo dos homens, decide fugir. Sem conseguir regressar ao mundo subterrâneo, a princesa como qualquer ser humano, morre.
Entretanto, seu pai, sabendo que a sua alma um dia retornaria, abre vários portais pelo mundo para que ela possa regressar.
A jovem princesa reencarnada, ou melhor, Ofélia, é uma garota que ama contos de fadas e é filha de um alfaiate já falecido. Sua mãe, uma mulher sensível e muito doente, casa-se novamente com Vidal, o capitão do exército franquista (um homem frio e sádico, que luta contra os rebeldes que se escondem na floresta), de quem espera um filho.
Ofélia e sua mãe vão morar com Vidal no campo. Ao chegar a casa, uma fada leva Ofélia a conhecer o labirinto onde mora o Fauno, uma criatura estranha, assustadora e que não parece ser muito confiável. O Fauno lhe conta que ela é a princesa perdida do mundo subterrâneo. Porém, para poder abrir o portal que a levará de volta para o seu mundo, ela necessita passar por três provas.
Aqui, o diretor Guillermo Del Toro utiliza-se da mistura do real e do imaginário para tornar lúdica uma história melancólica e violenta. Guillermo faz isso de maneira brilhante, mostrando a narrativa pelo olhar da criança. Não sabemos, nem mesmo com o final do filme, se tudo o que se passa com Ofélia é real ou uma maneira que a menina encontrou para fugir de sua triste realidade.
Este não é o primeiro filme em que Guillermo se utiliza da interpretação de mundo por uma criança para discutir temas de interesses históricos e políticos. Em “A Espinha do Diabo” a Guerra Civil Espanhola também é vista pelos olhos infantis.
Em “O Labirinto do Fauno” o mundo mágico é tão perigoso quanto o mundo real, mas de certa forma Ofélia se sente mais protegida nele. É impressionante o trabalho de Guillermo ao retratar esse espaço. A fotografia escura e os personagens peculiares dão um ar de conto de fadas gótico ao filme, deixando tudo um pouco mais tenebroso. Os efeitos especiais são na medida certa, ajudam a contar a história sem chamar mais atenção do que a própria narrativa, algo que vem acontecendo muito atualmente (quem assistiu ao último “Transformers” vai entender…).
A maquiagem é um espetáculo a parte. Os personagens do Fauno e do Homem Pálido interpretados pelo ator e mímico Doug Jones são bem arquitetados, amedrontadores, bizarros e fantásticos. O trabalho corporal de Doug Jones ao andar, gesticular ou falar como qualquer um dos personagens também foi muito bem construído pelo ator.
Visando o mundo do inconsciente, o que o caracteriza como um filme com pitadas de surrealismo, “O Labirinto do Fauno” retrata o uso da imaginação para encarar as diversidades existentes na vida.





















