Leaf #01 – Ética e tendências no mundo das marcas

Acompanhe as dúvidas que não entraram na edição da Leaf.

 

Damien Levaton: Existe um trabalho da Sebastiany que se destacou sobre os outros, que vocês tiveram tesão em produzir?

Oi Damien, pode não parecer, mas essa é uma pergunta difícil de responder, até porque nem todos da equipe estiveram envolvidos em todos os projetos, portanto imagino que cada um tenha os seus favoritos. Fui perguntar para a equipe:

AKIRA GOTO: “Para mim, o projeto da Panda Stock foi o mais marcante, pois me trouxe uma série de percepções que foram essenciais para o início de minha carreira, como o trabalho exaustivo do mesmo desenho gera uma abertura de novas soluções e a importância do aperfeiçoamento técnico visual em um projeto de marca.”

EDER SAOS: “Em alguns projetos gostei mais da solução, como na Cyberdoc, e outro que ainda não foi para o ar, o Instant Print porque é um projeto diferente para um produto diferente com uma solução interessante, e principalmente a Carranca pelo desafio.

KARINA CAMPANHA: É bem difícil escolher apenas um projeto, porque cada um é um desafio diferente e isso é incrível. Mas, o projeto da Dona Doceira em especial me fascinou, e muito, pois além de mergulharmos em toda a história da empresa, fizemos uma imersão na história da cidade e da sua cultura particular – o que foi muito enriquecedor – e a concepção da marca, de fato, teve a presence, os traços de todos da equipe, sem exceções. O da Fazenda Santa Helena, também, por sua história, bem como pelas diversas experimentações que fizemos devido à proposta. Nestes, acrescento o projeto da hamburgueria Icony, inspirada em Nova York – conceito desenvolvido por nós – foi muito interessante a experiência adquirida e o resultado do trabalho. E por fim, a Yogo Factory - pela nova leitura que propomos em relação ao segmento de iogurteira, além do ótimo desenvolvimento e da integração e trocas entre nós e o arquiteto responsável, que foram essenciais para o sucesso do projeto.

GIOVANI CASTELUCCI: Quase todos os projetos que participei me deram um puta tesão, cada um por um motivo. Uns pelo desafio, outros pela realização de ver as coisas tomarem corpo, outros pela relação super gostosa com o cliente. Acho que se fosse para escolher, citaria dois projetos muito especiais, que além desses itens, também foram apaixonantes por outros aspectos: Dona Doceira e Instituto 5 Elementos. Foi emocionante ver um projeto como o da Dona Doceira – que é um resgate gourmet de doces feitos pelas singelas doceiras da cidade de Goiás – tomar forma depois do mergulho que fizemos nessa história. Ao mesmo tempo que também foi muito gratificante participar do processo de reposicionamento do Instituto 5 Elementos como uma instituição pioneira em educação para a sustentabilidade, causa tão especial.

RANIERE COUTINHO: Um dos projetos que mais gostei de participar foi o da hamburgueria Icony, onde toda a criação e estratégia do nome e da marca foram executados a partir de um conceito (tema). As soluções criativas ficaram bem interessantes.

ANANDA NAMBA: “Pelo desafio pessoal eu colocaria Apreciara (ainda não publicado) e Casa do Texto, e pelo desafio do projeto, processo e resultado o do Boomerang (ainda não publicado).

LARA PESSOA: “Não foram muitos os projetos que participei na íntegra, mas me animei muito logo no primeiro, o da Pesco, pela variedade de trabalhos que realizamos para construção e aplicação da marca.”

GUILHERME SEBASTIANY: “Para mim é o Il Barista em 2001, por ser o primeiro projeto que desenvolvi com o embrião do que é hoje a nossa metodologia. Porém o tesão não vem simplesmente do resultado. Em alguns casos, mesmo com um resultado simples, o processo e o relacionamento com o cliente pode ser o principal fator de satisfação em um projeto.

 

Damien Levaton: Quando se redesenha um logotipo, o melhor é partir para outra ideia ou redefinir melhor o logotipo já existente? (exemplo: o Starbucks somente redesenhou a marca).

Oi Damien, essa é a resposta que vale 1 milhão.

É a dúvida que tanto você quanto o seu cliente têm na hora de desenvolver o projeto. É a pergunta que, se respondida corretamente, vale até mesmo mais do que o restante do projeto de design da marca como um todo, afinal, a resposta errada pode custar muito mais caro. A resposta em cada projeto pode variar e não existe uma em absoluto.

Para respondê-la não basta uma opinião ou um insight… Não podemos começar com “eu acho”.

O que temos que fazer para respondê-la é uma profunda pesquisa sobre o passado (a história da marca) seu presente (sua realidade atual) e seu futuro (as aspirações de crescimento e expansão da marca). Em cada um dos cenários entre mudar a marca completamente (as vezes até o seu nome) e fazer apenas aperfeiçoar a identidade, existirão diferentes prós e contras. Ao identificá-los todos, é possível avaliar qual o melhor caminho dentro do que a empresa é capaz de fazer. Perceba que falei em prós e contras, ou seja, não existe nunca um caminho ideal, todo caminho tem pedras.

 

Thais Tavares: Até onde a opinião pessoal do cliente pode influenciar no processo criativo?

Oi Thais, tudo bem! Sei que não é bonito responder com outra pergunta, mas até que ponto a opinião pessoal do designer deve também influenciar o processo criativo?

É verdade que os “gostos” do cliente podem sim atrapalhar e prejudicar o resultado de um projeto, afinal, ele provavelmente não é o público-alvo de sua própria marca. Mas os gostos do designer também podem atrapalhar, e provavelmente também não somos nós o público-alvo. Difícil, não?

O desafio é conseguir estabelecer um processo e um diálogo em que você consiga, junto com o cliente, definir e perseguir os objetivos comuns do projeto, e não visões pessoais ou particulares (de ambas as partes).

De modo geral, os melhores resultados vem quando tanto clientes quanto designers conseguem unir forças e conhecimentos em prol de um objetivo comum.

 

Thais Tavares: Qual(is) característica(s) você acha fundamental(is) para quem quer se especializar nesta área?

Oi Thais. Imagino “nesta área” neste caso diga respeito a Design de marcas e Branding, não é mesmo?

O fundamental é vontade de aprender, e a sabedoria de não se achar dono da verdade. Quando falamos em branding ou mesmo em design estratégico de marcas (são coisas diferentes) estamos em uma das áreas mais interdisciplinares que existem, e que por isso mesmo, demandam muito estudo de áreas as mais diversas.

Apesar do design já ser uma disciplina interdisciplinar por natureza, geralmente o que é abordado nas graduações e pós graduações ainda é a intersecção do design com a cultura, artes plásticas, fotografia, cinema e ilustração. Nada contra, todas muito importantes e fundamentais para a atuação profissional.

Mas há pouca interdisciplinaridade com áreas como marketing, gestão e administração de empresas, recursos humanos, estratégia corporativa, direito (marcário, empresarial e autoral). Há até, me arrisco dizer, um certo preconceito com essas esferas que são importantes do mundo dos negócios onde, na minha opinião, o design deveria estar mais inserido.

Vejo muitos profissionais reclamando (até com razão) do pouco espaço que o design tem nas estratégias das empresas. Mas também vejo pouco designers se preocupando em entender o universo corporativo, mesmo que seja apenas para melhorar a sua comunicação com o cliente, afinal termos como ROI, IPO, B2B, CEO, CMO, MARKAP, P&D, EBITIDA, DERIVARIVOS, BRAND EQUITY, SHARE, LIQUIDEZ, ERP, CRM, deveriam fazer parte do vocabulário dos designers tanto quanto RGB, CMYK, TTF, JPG, EPS, DPI, CTP etc.

 

Willian Matiola: Qual parte da metodologia de criação requer mais tempo e dedicação da equipe?

A parte de pesquisa e estratégia definitivamente consomem mais tempo. São as etapas em que temos que observar tudo o que está ao redor da marca que vamos projetar, e que podem influenciar o seu desempenho no mercado. São pesquisas de concorrentes, cultura, públicos, valores, segmento, e estratégias de marca, posicionamento, DNA, arquitetura… Muito mais que um simples briefing. Mas essas etapas podem ser feitas por uma equipe pequena. Duas ou 3 pessoas são o suficientes.

Porém na etapa de criação, embora menor, quanto mais pessoas estiverem envolvidas, melhor. Em parte, quanto mais pessoas colaborarem nesta etapa, menor é o tempo total (homem/hora) de criação.

Uma vez aprovada a marca, temos todas as etapas de aperfeiçoamento final e montagem dos arquivos e manuais. Aqui novamente o número de horas sobe. Mas são etapas que apenas uma pessoa pode fazer sozinha.

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