Filmes de moda
O cinema, assim como a moda, interfere no comportamento do público, gerando no imaginário popular tendências que se solidificam com o passar do tempo. Essa é a magia com que ambas as indústrias trabalham. Nada estranho, então, a mescla que acontece entre elas.
Podemos começar falando sobre filmes que usam como base o mundo da moda, tanto o lado do glamouroso quanto o obscuro. Abaixo você pode conferir alguns filmes de vários filmes que bebem dessa fonte em seus roteiros.
Gia – fama e destruição (1998)
Filme exibido pela emissora de TV americana HBO, Gia – fama e destruição conta a história da modelo Gia Carangi, interpretada por Angelina Jolie, mostrando a sua ascensão, o uso de drogas e a morte prematura.
Coco antes de Chanel (2009)
A história da mulher que revolucionou o mundo da moda. Gabrielle, que depois de tornaria Coco Chanel, passou sua infância no orfanato. Ao crescer trabalhou como costureira e cantora de cabaré. Na moda, criou roupas inspiradas no vestuário masculino, ajudando na transformação comportamental das mulheres da época.
Cinderela em Paris (1957)
Audrey Hepburn é Jô Stockton, uma balconista que vê a sua vida mudar quando o fotógrafo Dick Avery, interpretado por Fred Astaire, a descobre e decide levá-la para ser o “novo rosto” procurado pela editora-chefe da revista de moda Quality Magazine. Ela vai até Paris trabalhar como modelo, mas sua intenção é encontrar seu ídolo, o filósofo Emile Flostre.
Das passarelas para a telona
Outra combinação possível entre esses dois estilos de arte é quando estilistas famosos decidem criar ou usar de suas criações para compor o figurino dos personagens de cinema. Diversos estilistas já imprimiram suas marcas nas telonas. Confiram alguns:
Coco Chanel
Coco Chanel cresceu em um internato. Ao sair de lá, passou a trabalhar de dia como costureira e a noite como cantora em bordéis. Em 1908, com ajuda de um namorado, monta a sua primeira loja de chapéus. A loja cresceu e a marca Chanel se tornou uma das mais importantes do mundo. Coco Chanel inovou mudando todo o padrão de vestimenta de uma época com suas roupas discretas e chiques.
A participação de Coco Chanel como figurinista de filmes aconteceu em 1931, quando ela se associou à MGM com um contrato de um milhão de dólares, o que a ajudou a salvar sua loja na época da Grande Depressão. Seu primeiro filme foi “Palmy Days” (1), mas recebeu grande destaque pelas roupas criadas para Gloria Swanson no filme “Esta noite ou nunca” (2). A parceria com a MGM terminou em 1932 com o filme “Cortesãs Modernas” (3).
Chanel voltou a trabalhar em figurinos de filmes no ano de 1938 com o clássico do realismo poético francês “Cais das sombras” (4) e “La Marseillaise”(5), do diretor Jean Renoir. Trabalhou novamente com Renoir no figurino do filme “A Regra do jogo” (6). O modelo usado por Paulette Dubour na foto remete ao uniforme usado por Chanel no internato. O último figurino de filme feito por Chanel foi em 1961: “Ano passado em Marienbad” (7), de Alain Resnais.
Hubert de Givenchy
O estilista Hubert de Givenchy, antes de montar a sua própria loja, já havia trabalhado com Elsa Schiaparelli e Christian Dior, estilistas que também já tinham feito modelos para o cinema. A chance de Givenchy mostrar seu estilo clássico e básico nas telonas veio quando a jovem estrela Audrey Hepburn foi procurá-lo para desenhar o figurino do filme “Sabrina” (1), de 1954.
Apesar de ter feito o figurino de filmes como “Bom dia, tristeza” e “Gente muito importante”, onde vestiu Elizabeth Taylor, foi a parceria com Audrey que marcou a história tanto do cinema, quanto da moda. Após “Sabrina”, a parceria se firmou com o filme “Cinderela em Paris” (2), seguido por “Amor na tarde”(3).
Mas a consagração veio em 1961, quando Audrey encarnou a garota de programa Holly no clássico “Bonequinha de Luxo” (4). A cena inicial do filme, com Holly tomando café da manhã em frente a joalheria Tiffany imortalizaria o pretinho básico.
Audrey e Givenchy ainda trabalharam juntos em “Charada” (5) e “Quando Paris alucina” (6). O último filme de Audrey com figurino de Givenchy foi “Como roubar um milhão de dólares” (7), de 1966. Em 1967 Audrey resolveu dar um tempo em sua carreira como atriz, fazendo apenas mais 4 filmes até a sua morte em 1993.
Ralph Lauren
Ralph Lauren trabalhou como vendedor em diversas lojas. Uma delas, a Abe Rivetz, especializada em gravatas, foi convencida por ele a produzir gravatas que o mesmo havia desenhado, e que eram muito mais largas do que as usadas na época.
Em 1967, graças ao sucesso das gravatas, ele começou a produzir sua própria linha de roupas masculinas, seguida por uma linha de roupas femininas.
Ralph Lauren foi quem desenvolveu o figurino de Robert Redford no filme “O Grande Gatsby” (1,2 e 3). As roupas, foram baseadas na aristocracia inglesa e na América dos anos 20.
Em 1977 Ralph Lauren ganhou fama entre as mulheres graças ao figurino usado por Diane Keaton para o filme “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. Segundo Woody Allen, diretor do filme, aquele “era só o look dela. O jeito como ela se vestia”. De fato, Diane Keaton era fã das roupas de Ralph Lauren e usou suas próprias roupas no filme, com modelos que utilizam alfaiataria de uma maneira descontraída, mesclando roupas femininas e masculinas.
Jean Paul Gaultier
O estilista Jean Paul Gaultier, famosos pelo corpete de seios pontudos usados por Madonna, é um grande colaborador dos filmes. Suas roupas evidenciam o corpo, mesclando o trash com o gótico em um estilo irreverente que se transformou em sua marca registrada.
A primeira colaboração de Gaultier para um filme veio com “O cozinheiro, o ladrão, sua esposa e o amante”(1). Este é um filme cheio de significados e as roupas confeccionadas pelo estilista acompanham todo o clima do terror surrealista do longa.
Em Kika (2), Gaultier começa uma parceria com Almodóvar que continuaria nos filmes “A má educação (6), onde desenha o figurino do personagem transexual vivido por Gael Garcia Bernal, e “A pele que habito” (7).
Também confeccionou a roupa do “Quinto elemento” Leelo (5), além dos figurinos da comédia de humor negro sobre o mundo da moda “Prêt a Porter” (3) e da fábula de Jean Pierre Jeunet “Ladrão de sonhos” (4).
Figurinos que fizeram história
Alguns figurinos marcaram a história do cinema e até hoje são lembrados e copiados:
1. Esse vestido branco de ombros largos e cintura bem marcada, usado por Joan Crawford no filme Redimida, causou verdadeiro furor nos anos 30. Nada menos que 50 mil cópias dele foram vendidas na loja de departamento Macy’s.
2. Em toda festa a fantasia sempre tem alguém vestida de “Marylin”, usando o incrível e esvoaçante vestido branco que fez história em “O pecado mora ao lado”.
3. O musical “Grease”, filme que retrata a juventude dos anos 50, começa com a personagem de Olivia Newton-John usando roupas recatadas, com saias armadas e casquinhos de lã. Depois de uma transformação, as saias dão lugar à calça de couro e tamanco vermelho, sem contar os cabelos volumosos.
4. As polainas usadas pela dançarina Alex em “Flashdance”, assim como o moletom de gola rasgada, viraram um verdadeiro uniforme para as garotas que sonhavam em ser dançarinas nos anos 80.
5. “Uma linda mulher” é praticamente um conto de fadas moderno. E como toda princesa que se preze tem seu vestido dos sonhos, o de Vivian, personagem de Julia Roberts, é esse vermelho acompanhado por luvas brancas. O figurino do filme foi indicado ao Oscar.
6. “Como perder um homem em dez dias” pode ser só mais uma entre tantas comédias românticas lançadas em Hollywood, mas o vestido amarelo usado por Kate Hudson é até hoje um dos mais copiados.
7. A série de TV “Sex and the City” contava a história de quatro amigas nova iorquinas que se importavam muito com a moda. E quando foi para as telonas, a personagem Carrie marcou ao usar o vestido de noiva confeccionado pela estilista Vivienne Westwood, conhecida como a “estilista punk”.
Referências:
Stop Traffic Designs
Portais da Moda
Mostra Filme fashion – grandes estilistas no cinema. Curadoria de Alexandra Farah.
“Conversas com Woody Allen: seus filmes, o cinema e a filmagem”, Eric Lax.


























