O que você faria se descobrisse que toda a sua vida, que sempre foi relativamente normal, nada mais é do que uma mentira inventada por produtores de TV? Bem vindos ao Show de Truman!
Muito se discute sobre o sucesso de reality shows na TV. A grade horária das emissoras estão recheadas deles: “BBB”, “Mulheres Ricas”, “A Fazenda”… Mas o que faz desses programas um sucesso de público? Voyeurismo dos telespectadores? Carisma das pessoas – personagens? O roteiro criado pelos produtores e editores desses programas? Todas as opções anteriores?
Já as pessoas que se submetem a participar dos reality shows, para entrarem em confinamento, precisam provar que possuem plena consciência de que suas vidas serão monitoradas e seus gestos mais humanos serão motivos de risos, discussões e julgamentos por parte dos telespectadores.
Não foi bem assim como Truman Burbank, personagem de Jim Carrey em “O show de Truman”.
O diretor australiano Peter Weir trouxe à vida o roteiro de Andrew Niccol, também roteirista de Gattaca. “O show de Truman”, lançado em 1998, de certo modo previu toda essa febre relacionada à vida real usada como ficção.
Truman foi o primeiro bebê a ser adotado por uma corporação, uma criança concebida para ser usada como entretenimento, tendo sua vida vigiada e transmitida para mais de 220 países no mundo e de maneira ininterrupta.
Crescendo com pais que na verdade eram atores (todas as pessoas que estão em volta de Truman foram contratadas para estarem lá), desde que ele era uma criancinha foi reprimido por métodos inventados por Christof, criador do programa, para impedir que ele saísse da cidade. Uma das mais eficientes maneiras de se controlar uma pessoa é por meio do medo. Sabendo disso, Christof fez com que Truman criasse um trauma à água, “matando” o pai dele afogado.
O que Christof não contava é que Truman se apaixonaria por Sylvia, uma atriz figurante que tenta contar a verdade a ele, sem sucesso. Com a saída de cena de Sylvia, Truman se casa com Meryl, que na frente das câmeras se mostra uma típica dona de casa americana, mas por fora dela é uma atriz mirim que não conseguiu manter o sucesso.
A todo tempo Meryl faz comerciais de produtos que ela “usa” em sua casa. No filme a cena é feita de um jeito que a personagem lembra as mulheres de cartazes antigos de artigos para vender.
Com o tempo, Truman começa a perceber que há alguma coisa de errado com a sua vida. Decidido a procurar Sylvia, procura um meio de sair da cidade onde habita, mas é sempre impedido por Christof.
É legal notar que durante todo o filme a figura de Christof é a de um deus que age sobre sua criatura. Em nenhum momento Truman pode escolher o que é o melhor pra ele, nem mesmo ao se apaixonar. Tudo é imposto.
O filme começa com depoimentos do criador e dos atores do The Truman’s Show, como se fosse um especial em comemoração aos 30 anos do programa. Ali, uma frase se destaca. Christof diz que o programa “nem sempre é Shakespeare, mas é genuíno”. As ações de Truman realmente são genuínas, já que ele não sabe da existência das câmeras, mas e quanto aos outros personagens? Será que eles agem genuinamente diante das câmeras? Este assunto já foi discutido pelo sociólogo Edgar Morín e o cineasta Jean Rouch no documentário “Crônica de um verão”.
Outro ponto que o filme toca é a atitude do telespectador diante do que acontece com Truman. No filme é mostrado pessoas de várias partes do mundo que assistem e consomem tudo o que há no programa (sim, todas as coisas que existem ali são comercializadas), sem nem ao menos parar para pensar no protagonista alvo de uma experiência absurda. Tratasse na verdade de uma crítica de como a mídia consegue interferir na nossa maneira de pensar e agir.
“O Show de Truman” é um filme que, apesar de focar em questões extremamente importantes, principalmente em uma sociedade onde nos permitimos ser monitorados (redes sociais, câmeras de vigilância por todos os lados,…), é leve e divertido, com Jim Carrey garantindo o carisma e a suavidade do personagem principal.
Trailer do filme “O show de Truman”






















