Quando o cinema começou, em meados de 1895, tinha como base cenas do cotidiano capturadas em películas de curta duração. Somente com o cineasta americano D.W. Griffith o cinema passou a ter uma narrativa mais clássica e linear, no que seria denominado melodrama. Entretanto, filmes curtos não deixaram de ser produzidos com o passar dos anos. A Revista Leaf traz uma lista com alguns dos mais memoráveis curtas-metragens filmados. Divirta-se!
Viagem à Lua - George Méliès
Se D.W. Griffith é considerado o pai da narrativa cinematográfica ao produzir uma história com começo, meio e fim, o cineasta francês George Méliès pode ser considerado o pai do cinema ficcional por utilizar de efeitos especiais ainda no ano de 1902.
Em “Viagem à Lua”, o cineasta retrata a viagem de astrônomos à lua, onde encontram um grupo de alienígenas chamados selenitas. É Esso o filme que conta com a clássica cena do foguete aterrissando no olho da Lua.
Uma homenagem ao cineasta George Méliès pode ser visto no recente filme de Martin Scorsese, “A invenção de Hugo Cabret”.
Corrida de automóveis para meninos - Henry Lehrman
Esse curta-metragem tem o grande mérito de apresentar aquele que ficaria marcado como um dos personagens mais icônicos e carismáticos de todos os tempo, “The Tramp”, ou, Carlitos.
No filme de Henry Lehrman, o vagabundo imortalizado pelo genial Charles Chaplin aparecia pela primeira vez em meio às confusões criadas por ele em uma corrida de carros.
Chaplin interpretou Carlitos em grandes filmes como “Luzes da Cidade”, “Tempos Modernos” e “O Grande Ditador”.
Dimensões do diálogo - Jan Svankmajer
Jan Svankmajer é um diretor de cinema da República Tcheca. Influenciando diversos diretores ao redor do mundo, Jan baseia o seu trabalho no movimento surrealista. É justamente com uma matriz surrealista que em 1982 ele apresentou o curta-metragem “Dimensões do diálogo”, dividido em três partes.
Na primeira parte, inspirado nos quadros de Giuseppe Arcimboldo, alimentos e objetos constroem a fisionomia de rostos humanos que se devoram e se regurgitam.
A segunda parte tem como protagonista um casal feito de argila. Eles se unem em uma relação amorosa, onde se transformam em uma massa homogênea. Entretanto, após essa relação, quando eles se transformam novamente em dois corpos, ambos entram em uma discussão sobre quem deve ficar com o pedaço de massa que restou do relacionamento.
A terceira parte mostra duas cabeças de argila que de suas bocas soltam objetos que primeiramente se complementam, mas depois passam a se confrontar.
Como toda obra surrealista, o trabalho de Jan Svankmajer é passível de várias significações e sentidos.
http://youtu.be/2NWz2ssfj_s
Vincent - Tim Burton
Filme de estreia do diretor Tim Burton em curtas-metragens de animação, “Vincent” é praticamente a sua autobiografia. O filme, narrado pelo ator Vincent Price, famoso por atuar em filmes de terror como “Mortos que matam” e “Casa de cera”, é construído em forma de poesia e se utilize da animação em stop-motion (que o diretor voltaria a usar em “A noiva cadáver”).
Vincent é um menino incomum. Diferente das outras crianças, que amam contos de fadas, ele tem verdadeiro fascínio pelas obras do escritor Edgar Allan Poe. Dentro de sua cabeça e usando aquilo que lê nos livros, ele passa a reestruturar sua realidade.
Ilha das Flores - Jorge Furtado
Representante brasileiro da nossa lista, “Ilha das Flores” trata-se de um mini documentário e tem a direção do cineasta Jorge Furtado. Foi lançado em 1989 e tem como tema a desigualdade social existente na sociedade.
Listado no livro “1001 filmes para ler antes de morrer” conta de maneira didática, mas se utilizando de certa ironia, a história de um produto desde sua fabricação até seu descarte em um lixão no bairro que dá nome ao filme.
Acontece que parte do lixo descartado ali, precisamente o que não serve de alimentação para os porcos, é utilizado na alimentação dos moradores da região.

























