Tipografia Moderna e Pós Moderna Séc XX- XXI

Com o crescimento e a estruturação das grandes cidades e de uma sociedade cada vez mais complexa, tudo mudou. A arte influenciou drasticamente a muitas áreas, e a tipografia não poderia ser diferente.

Os padrões antigos, as normas e os estilos antigos começam a ser rejeitados, e os artistas da época, em especial os estudantes e professores da Bauhaus, começam a fazer experimentações para cada vez mais se diferirem do que já foi produzido e sempre se distanciando do presente.

A arte moderna visa cultivar o gosto pela assimetria, pela estilização e pelo trabalho de ser balanceada.

 

A Poética Visual

No meio de grandes mudanças e diferentes estilos de pintura, música em constante tranformação, a poética visual ligava-se a arte e tipografia.

A poética visual quebrou as convenções de uma tipografia mais tradicional e estática. Os poetas visuais trabalhavam suas obras à mão, ou seja, não usavam processos mecânicos.

Foi precursos de vários movimentos, como o futurismo, o dadaísmo e construtivismo.

Os artistas tinham como foco passar o conceito, primeiramente, de uma imagem e depois um conceito de uma palavra que poderia ser usada para dar nome ao objeto, para dar significado a esse.

Trabalhos de artistas como Apollinaire ilustram essa arte.

Bauhaus e sua contribuição

A escola Bauhaus, a mais conhecida escola de design e artes, foi fundada por Walter Gropius em 25 de abril de 1919, foi uma das pioneiras em experimentações via alunos e professores, inclusive Gropius.

A escola Bauhaus, fundada em 1919.

A tipografia era tratada e produzida como muitos dos trabalhos na escola: o menos sempre é mais. Limpas, funcionais, com um tamanho milimetricamente estruturado, são detalhes imprencindíveis nas melhores ontes produzidas até hoje, como Akzidenz Grotesk, Helvetica, Futura, entre outras.

 

As fontes utilizadas na comunicação da escola foram criadas por Moholy-Nagy. Sempre fontes sem serifa, bem espaçadas e balanceadas, se completavam e fundiam com as cores fortes e as interessantes e bem estudadas composições. A maioria das publicações eram impressas com a fonte Akzidenz Grotesk.

Um dos exemplares da coleção de livros da Bauhaus.

Nagy influenciava seus alunos a romper as relações e semelhanças ao passado, com o intuito de criar fontes com ordem, simplificação e claridade.

Todos conheciam e admiravam a Bauhaus pelo amplo espaço oferecido para a livre experimentação e a produção de trabalhos de acordo com os elementos mais interessantes e empáticos de cada aluno. Foi quando, em 1917, Doesburg fundara o movimento De Stijl juntamente com Piet Mondrian.

A principal característica do De Stijl era junção de técnica e da arte em si. Uma produção mais industrial e racionalista.

Entre importantes nomes do movimento, temos Piet Zwart, fotógrafo, tipógrafo e designer industrial.

Seu trabalho tinha dadaísmo misturado com De Stijl. O racional entrelacado ao irracional formava um trabalho forte e único.

Suas composições com fotos, tipografia e o uso calculado dos ângulos e formas – habilidade ganhada por anos de arquitetura – resultavam em um trabalho limpo, harmonioso e encantador.

 

 

A seguir, uma sequência de trabalhos tipográficos pelos anos e movimentos a seguir:

 

Dadaísmo

Theo Van Doesburg.

 

Futurismo

Filippo Marinetti.

Construtivismo

Alexander Rodchenko – Exposição Pinacoteca do Estado de SP.

 

Poesia Concreta

Gomringer

 

A Tipografia da Era Moderna

Na modernidade, a tipografia é ambígua e infinitamente utilizada por todas as pessoas. O acesso aos computadores, a fácil veiculação de fontes tipográficas faz com que a leitura e interpretação desses caracteres seja variada.

Depois dos anos 70, da veiculação em massa dos computadores pessoais, dos experimentos novamente futuristas, perspectiva, fontes em bitmap e o uso exagerado do uso das novas tecnologias, mais ainda por muitos rejeitada, o uso indiscriminado de fonte e até a produção delas se tornou mais fácil e menos estática, já que as referências eram cada vez mais pluralistas.

As formas são múltiplas e as referências são livres. Das formas perfeitas das famílias tipográficas sem serifa às famílias mais caligráficas estilo Didot, as variações e possiblidades são inúmeras, deixando livre ao designer de tipos de hoje poder ousar e experimentar sem estar preso à convicções ou estilos delimitados, diagramando trabalhos de acordo com as inspirações e implementando erros específicos, acertos específicos que podem caracterixar ainda mais seus trabalhos.

Agora o que vale é criar, recriar, copiar e transformar.

 

Referências

Elementos do Estilo Tipográfico
BRINGHURST, Robert
Cosac Naify
2005 – Versão 3.2

http://tipografos.net/bauhaus/bauhausbuecher.html

http://tipografos.net/designers/zwart.html

Autor

Designer Gráfico

Estudante de Comunicação Visual no Centro Universitário Senac. Curiosa, determinada e sempre querendo aprender mais. Inspirada sempre naquilo que pode se transformar e inovar. Observadora, gosta de fotografia, de desenhos orgânicos, de ilustração e tipografia.

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