Tipografia na Era Renascentista e Barroca

No começo da Era Renacentista, a comercialização e distribuição de livros era restrita. Nas faculdades, os professores detinham os livros, e os alunos, para conseguirem suas cópias, as produziam a mão, enquanto o professor o ditava.

Entre 1450 e 1500, várias técnicas de impressão foram criadas, ajudando as pessoas a terem cópias rapidamente.

Nessa época, os livros eram impressos em velow, um couro de animal tratado. Ainda no tempo da Incunabula*, os papéis a base de celulose começaram a ser produzidos e usados na impressão de livros.

Nessa época, os livros eram vendidos ainda nas Oficinas Tipográficas, mas somente o miolo. Os próprietários deveriam levá-los a encadernadores se quisessem uma.

*Incunabula: Tempo onde as Oficinas Tipográficas produziam toda a matéria que necessitava, desde a tinta de impressão, papel, tipos fundidos, até a encadernação.

Modelo de impressão xilográfica.

 

Prescendentes dos tipos móveis: Entre 1400 a 1465, a impressão de tipos era feita de maneira xilográfica. As páginas dos livros eram prensadas em placas de madeira, as letras eram desenhadas a mão e talhadas uma a uma.

A primeira impressão de tipos móveis foi feita pelo ourive Johannes Guttenberg, você pode ler mais no último post.

Alguns estudos apontam que a primeira impressão com tipos móveis foi feita na Holanda, por Laurens Coster, em 1440, mas ninguém sabe ao certo em qual lugar a técnica foi primeiro utilizada.

As letras góticas, ou as letras quebradas, eram os tipos de letras mais usadas, começando por toda a Europa – Inglaterra, França, Hungria, Espanha, Holanda, Alemanha e Portugal. Mas a partir de 1472 os caracteres romanos surgiram, o que mudava completamente a estética dos livros, sem letras pesadas e quebradas. As entrelinhas costumavam ser grandes, e as composições das páginas eram pesadas.

Modelo de página impressa com tipos em estilo gótico, de Johann Froben.

 

Alguns estudos de letras começaram a ser publicados, como o de Albretch Dürer, em meados de 1500. Ele usava como base as esculturas de Roma.

Estudo de tipografia de Albretch Dürer.

 

Modelo de página com estilo Renascentista – de Aldo Manuzio, 1499.



Entre 1500 e 1545 as itálicas surgiram, produzidas por Alfredo Manuncio, a partir de análises das escritas de documentos importantes da Chancelaria do Vaticano. Mas como as letras eram bem ornamentadas, elas não eram fundidas em metal como as outras, e sim feitas a mão.

Uma particularidade desta época: as letras itálicas eram somente desenhadas em caixa baixa e nos textos de livros é freqüente ver as capitulares em caixa alta romana.

Nas itálicas renascentistas, o sinal ~ (til) era representado pela letra “j’ minúscula, em horizontal.

Detalhe: J como til – Granjon itálico gros-canon,1564.

 

O itálico hoje em dia é usado frequentemente para representar palavras estrangeiras em textos, e isso aconteceu a primeira vez em 1539 em um dicionário produzido.

Entre o século XVI para XVII a Incunabula acabou. As letras começaram a ser importadas ou comercializadas pelas Oficinas Tipográficas. Era raro uma oficina ainda produzir todos os materiais no mesmo lugar.

Com a importação de tipos os catálogos começaram a aparecer. Um bem conhecido era o de Caslon, em 1734. O tamanho das letras não era dividido em pontos, e sim baseado na língua que o texto seria escrito.

Catálogos Caslon. Detalhe: Tipo Itálica e Gótica.

 

A diferença entre a letra Renacentista e a Barroca:

Renascentista: O eixo das letras é humanista (oblíquo), os terminais são precisos, pois eram feitos com pena. Os espaços negativo das letras eram grandes, e o itálico era únco, não formava uma família com a romana.

 

Barroca: O eixo é variável, o itálico forma uma família com o romano. O eixo varia de letra em letra, não segue uma forma sempre padrão de ângulo e espaço negativo.

Autor

Designer Gráfico

Estudante de Comunicação Visual no Centro Universitário Senac. Curiosa, determinada e sempre querendo aprender mais. Inspirada sempre naquilo que pode se transformar e inovar. Observadora, gosta de fotografia, de desenhos orgânicos, de ilustração e tipografia.

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