21 de outubro de 1967. A ditadura instaurada em 1964 dava seus primeiros passos rumo ao AI-5, ato institucional de 1968 que, entre outras coisas, promovia a censura no país. No Teatro Paramount, jovens cantavam o que se tornariam hinos de uma época.
A década de 60 é conhecida por ter sido extremamente fértil. Apesar da repressão política, a cultura de maneira geral se mostrou rica, inclusive como forma de protesto contra a ditadura militar.
No campo musical, os festivais ficaram conhecidos por dar voz aos artistas que cantavam suas músicas cheias de metáforas para uma plateia fervorosa. A TV Record, na época, era conhecida por seus programas musicais que a faziam possuir boa parte do casting de artistas da MPB. Entre suas principais atrações estava o Festival de Música Popular Brasileira.
Dentre as cinco edições do Festival, se notabilizou a final do III Festival de Música Popular Brasileira, revisitado em “Uma noite em 67”. Com direção de Renato Terra e Ricardo Calil, o documentário procura contar uma das noites mais importantes para a música popular.
Narrando a noite a partir das músicas vencedoras (e da desclassificada “Beto Bom de Bola”). Pois bem, os diretores decidiram que a plateia deveria participar ativamente do Festival e colocaram um microfone para captar os sons. Isso só intensificou a manifestação das pessoas, que o marcaram como o “Festival das Vaias”. Alguns artistas conseguiram ter jogo de cintura, mas Sérgio Ricardo, intérprete de “Beto Bom de Bola”, furioso, quebrou seu violão e jogou-o no público.
Diversas outras passagens são mostradas no filme, como a passeata contra o uso de guitarras elétricas, que segundo os protestantes, americanizaria a música brasileira. Somos então levados às decisões políticas, como os próprios afirmam, de Gilberto Gil e Caetano Veloso de se apresentarem ao lado de grupos que utilizavam o instrumento.
Ao lado da banda estreante Mutantes, Gilberto Gil cantaria “Domingo no Parque”, enquanto Caetano Veloso, com o apoio dos argentinos do Beach Boys, eternizaria “Alegria, Alegria”. Esse seria o início do movimento Tropicália, que se intensificaria depois com o disco “Panis et Circenses”.
Há também Chico Buarque cantando “Roda Viva”, Roberto Carlos deixando a Jovem Guarda de lado para interpretar o samba “Maria, Carnaval e cinzas” e os vencedores Edu Lobo e Maria Medalha com “Ponteio”.
“Uma noite em 67” não é um documentário de vanguarda, pelo contrário, segue um esquema mais quadradinho, mesclando entrevistas com imagens de arquivo. Mas se sua forma não é inovadora, o documentário ganha pontos pelo resgate e valorização do período histórico.
As imagens de arquivo, que são de direito de propriedade da Rede Record, até então só tinham sido vistos de maneira fragmentada. É interessante notar as diferenças da TV daquela época para a de hoje. A câmera, que hoje se aproxima com facilidade do entrevistado, em 1967 ficava estática em plano aberto, onde além dos repórteres e dos entrevistados, filmava toda a muvuca dos bastidores.
Os depoimentos dos artistas e jurados do Festival também valem muito a pena. Ali, vemos Caetano falar sobre como ficou marcado por “Alegria, Alegria”, Chico Buarque contando sobre como se sentia sozinho por não participar da Tropicália e Edu Lobo lamentando o excesso de sucesso que o Festival lhe trouxe.
Para quem quiser conferir mais, o canal do filme no youtube possui entrevistas que não entraram na versão final do documentário. Para ver, clique aqui.























