Estava conversando com um conhecido, designer também, e ele comentou que tem um cliente que não aguenta ver um espaço em “branco” como é chamado o espaço vazio em um layout. Pede sempre para por uma coisinha ali para encher o buraco.
Fiquei refletindo sobre isso e tenho uma teoria (claro que informal). A humanidade não tolera um espaço vazio, quer logo ir enchendo de coisas. Isso reflete o medo irracional do vazio interior e todo mundo quer ficar enchendo-o com bebida, comida, sexo, gadgets, música, tudo. Menos deixar o vazio lá. Ele assusta, mas é importante. O vazio interior é o reflexo do vazio do Universo.
Sabe qual é a parte boa do vazio? É que ele é cheio. Cheio de possibilidades. Se não tem nada ali, pode ter qualquer coisa, é tudo uma questão de dinâmica. O vazio gera movimento, exercício de possibilidades. Mas o vazio na medida certa, porque vazio demais gera aí um buraco negro que suga o significado do que existe ao redor e toma conta da pessoa ou do layout, dependendo do que estamos falando.
Esse anúncio da Doyle Dan Bernbach (DDB), agência responsável pela campanha nos anos 60 é um exemplo brilhante do uso do espaço vazio como parte importante na composição de um layout.
Para um espaço vazio ficar bom em um layout, devemos levar em consideração itens como figura e fundo e enquadramento. Por exemplo, na relação da figura e fundo, a figura é sempre vista em relação ao que ao fundo que a rodeia. As pessoas estão acostumadas a ver o fundo como passivo, somente como moldura do conteúdo que ele circunda. Mas a função dos designers gráficos é ver o fundo como componente ativo do layout, como contraponto do conteúdo com que dialoga, criando uma tensão ativa que gera interesse e energia.
Proporção áurea colada normalmente sobre o layout.
Proporção áurea reduzida em 25% na altura para encaixar direitinho no tamanho do layout.
Nesse layout da equipe de Helmuth Krone da DDB (segundo o site Diário de um Redator e a Wikipedia), o fundo vazio aliado à composição correta e um enquadramento bem feito faz nossos olhos procurarem loucamente o fusquinha lá no canto superior esquerdo e depois irem de novo bem rapidinho procurarem a outra imagem em contraponto: o logo da Volkswagen. Encontrando a frase Think Small um pouquinho antes. Pronto, a mágica está feita.
Referências:
Blog: Diário de um Redator
Livro: Novos fundamentos do design, Ellen Lupton e Jennifer Cole Phillips, Cosac Naify, 2008.






















